domingo, 29 de julho de 2012

A VIDA IMITA A ARTE.


Por Professor Ednaldo Jr.

O Brasil é respeitado mundialmente pela excelência de suas produções televisivas, especialmente as novelas e séries aqui produzidas, que correm o mundo encantando públicos de culturas tão diversas, mas que admiram o talento dos autores tupiniquins em retratar, com tanta maestria, as cenas do cotidiano brasileiro, quer sejam eivadas de senso humorístico, do drama, do romance, mas também a crítica aos comportamentos sociais que envolvem a todos enquanto atores diretos dos processos de construção coletiva da sociedade.

Recentemente a Rede Globo tem levado ao ar o remake da série Gabriela, inspirada na obra homônima de Jorge Amado, um estrondoso sucesso na década de 1970, estrelado naquela oportunidade por Sônia Braga e, nessa nova versão, por Juliana Paes. Na história, o retrato fiel da construção sociológica nordestina dos meados do século XX, tendo por pano de fundo a alterosa Ilhéus dos anos 1930, imperiosa na produção de cacau para o Brasil e o exterior, porém, marcada também pelo abuso de poder exercido pelos coronéis que ditavam as regras de conduta, moral, econômica e política, aos que se subjugavam aos seus ditames. Nesse contexto não lhes restava alternativa, visto que ou seguiam as orientações do coronel de plantão ou eram trucidados por sua prole. Ramiro Bastos, personagem encarnado pelo ator Antônio Fagundes, reporta o que há de mais vil na política brasileira e, de maneira mais doméstica, a nordestina, que infelizmente vê-se ainda contaminada pelos ares do populismo que mascara grande parte dos lobos em pele de cordeiro que se locupletam da atividade representativa e governativa para suster a sanha desvairada de uma meia dúzia de apaniguados que usura o erário público, maculam a dignidade e legalidade cidadã, constituídas a custa do suor e sangue derramados nos levantes históricos que serviram de fundamento para alicerçar nossa tão vulnerável democracia brasileira.

Todo cidadão é um agente político em potencial, portanto, somos políticos por excelência. O termo política nasce na Grécia clássica como “Politikós”, que quer dizer ‘tudo que se refere à cidade’, porém, a latinização do pensamento político suscitou o surgimento de um modelo de política que se funda na expropriação do direito universal coletivo em favor dos vis anseios de um minoritário conjunto de entes despossuídos de qualquer melhor intenção no bem comunitário. Nossa história recente está repleta de exemplos de políticos da estirpe de Ramiro Bastos, legítimos coronéis que veem na atividade política a oportunidade de erigir as cercas que delimitarão seus “currais”, seu território e seu rebanho.

Há tempos, me incomoda participar de espetáculos que distam aterradoramente do exercício pleno da democracia e que mais se confundem com acessos de selvageria que a poucos espécimes ditos ‘irracionais’ do reino animal poderia ser associado e que são tão comuns em nossa terra. Mais que isso, frustra-me observar que a juventude, mola mestra do processo de transformação social, alimenta esses mesmos excessos, os descalabros administrativos e abona atos delituosos que mais que aviltar, impregnam nossas instituições políticas, o Estado e o Legislativo, de pessoas desqualificadas, desprovidas de condição moral e qualitativa de exercerem cargos de tamanha responsabilidade, posto que não zelam pelo bem coletivo.

A cada rua sem infraestrutura, a cada entulho acumulado, a cada buraco não fechado, a cada UBS sem médico, tenho ainda mais certeza de que a idolatria inconsequente leva ao ostracismo e a cegueira política, bem como a ruina coletiva, mesmo daqueles que não emprestam seus auspícios para projetos malfadados e plenos de convicções vazias e ideologismos torpes. Render altares aos salteadores, desde os templos bíblicos, não constitui elemento regular da conduta social, mas, em Santa Cruz do Capibaribe insistimos em manter acesa essa chama, que por vezes se confunde com sobressaltos de corrupção que de há tempos ouvimos falar, sem nada fazer. 
 
Ainda alimentamos a tese de que não podemos votar pra perder e para tanto mantemos no poder os mesmos Ramiros de sempre, os coronéis da nossa Ilhéus pernambucana. Somos filhos de um coronelismo moderno, populista, infame e que relega ao flagelo da ruina uma cidade dotada de brios e da coragem de sua gente bravia e operosa, que apesar de não depender de ação política para sua dinâmica econômica ainda não compreendeu a força que tem para emprestar a joia do Capibaribe os mesmos sopros de mudança que o mundo assiste no Oriente Médio e que o Brasil viu em 2003 com a chegada de Lula ao poder.

2 comentários:

  1. parabéns pelo texto, foi feliz por demais nas colocações feitas

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  2. Grato ao leitor amigo, fazendo-se necessário ressaltar que não assumimos candidaturas de nenhuma cor partidária, apenas entendemos que Santa Cruz é maior que as querelas polítiqueiras que se arrastam de eleição em eleição, sem que nada de novo, nem de melhor, seja visto em bem de nosso povo.

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